Paz!E a Vida foi, e é assim, e não melhora. Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão... Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora Com uma taça, ou um punhal na mão!
Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora! Chymeras, sonhos, bolas de sabão. E a tortura do além e quem lá mora! Isso é, talvez, minha unica afflicção...
Toda a dor pode suspportar-se, toda! Mesmo a da noiva morta em plena boda, Que por mortalha leva... essa que traz...
Mas uma não: é a dor do pensamento! Ai quem me dera entrar n'esse convento Que ha além da Morte e que se chama A Paz!
O melhor esconderijo, a maior escuridão Já não servem de abrigo, já não dão proteção A Líbia bombardeada, a libido e o vírus O poder, o pudor, os lábios e o batom
Que a chuva caia Como uma luva Um dilúvio Um delírio Que a chuva traga Alívio imediato
Que a noite caia De repente caia Tão demente Quanto um raio Que a noite traga Alívio imediato
Há espaço pra todos, há um imenso vazio Nesse espelho quebrado por alguém que partiu A noite cai de alturas impossãveis E quebra o silêncio e parte o coração
Há um muro de concreto entre nossos lábios Há um muro de berlin dentro de mim Tudo se divide, todos se separam Duas alemanhas, duas coréias Tudo se divide, todos se separam
Que a chuva caia Como uma luva Um dilúvio Um delírio Que a chuva traga Alívio imediato
Que a noite caia De repente caia Tão demente Quanto um raio Que a noite traga Alívio imediato